A Capela de Nossa Senhora da Estrela encontra-se localizada nos Poios / Serra do Poio, na freguesia de Redinha, concelho de Pombal, Serra de Sicó.
O culto remonta à Idade Média, tendo atingido elevada relevância no século XVII, terá sido uma das devoções mais impulsionadas pelas autoridades eclesiásticas após o Concílio de Trento.
A data de construção é desconhecida, mas é relatado um registo de 1769 pelo vigário da Redinha, sobre como a imagem terá sido achada, depois da expulsão dos sarracenos. Mais, terão sido os fiéis, por sua devoção, fizeram o corpo da igreja pegado à lapa.
O templo não foi mencionado no tombo da Comenda da Redinha, de 1508, embora se refira que todas as ermidas terão sido anexadas à matriz. Mais tarde, D. Filipe I, na qualidade de governador e administrador da Ordem de Cristo, proveu D. Simão como ermitão da ermida de Nossa Senhora da Estrela (17 de junho de 1592). Era já, assim, um espaço sagrado.
A porta lateral de arco quebrado, voltada a sul, terá sido a entrada principal. De nave única, a reconstrução do teto da capela terá ficado a cargo do padre João Ribeiro (c.1638-1722), segundo indicação de frei Agostinho de Santa Maria, dando novo vigor à devoção. Ainda no século XVII, terá sido doado pelo padre um sino, que mandou colocar no campanário da ermida, tendo deixado a inscrição comemorativa, a ser visualizada ainda hoje, a partir do seu interior. O padre João Ribeiro encontra-se sepultado no seu interior, junto do seu filho Batista Ribeiro, (c.1646-1688), bacharel formado em Cânones pela Universidade de Coimbra, advogado nos auditórios das vilas de Redinha, Soure e Pombal e depois juiz em Montemor-o-Velho.
No século XX, terá recebido um retábulo para o altar, formado por um nicho com a imagem da santa e dois painéis laterais: um de S. João Baptista, e outro de São Francisco, entretanto desaparecidos.


Os festejos anuais foram promovidos pela sede do bispado, no Convento de Santa Clara, por volta de 1705, pelos estudantes da Universidade beirões. A imagem de Santa Maria terá pertencido à rainha D. Isabel, esposa de D. Dinis (1261-1325), então guardada na sacristia. A freguesia foi ponto de passagem de muitas peregrinações para o santuário, em particular nos seculos XVI e XVII. A romaria anual é em maio.
A santa ficaria ligada aos doentes e aos navegantes.
Quanto à lenda associada ao templo, cita-se o Comendador da Comenda Templária de Pombal Agostinho Silva (24.05.2026):
“O lugar (…) possui uma profunda dimensão espiritual, histórica e simbólica para toda a região de Sicó. A Capela de Nossa Senhora da Estrela, edificada junto à rocha viva da serra, num cenário de singular recolhimento e contemplação. Segundo a tradição popular, conta a lenda que, em tempos antigos, quando estas paragens se encontravam ligadas às águas navegáveis do litoral, um pescador foi surpreendido por um violento temporal no mar. Perdido entre as ondas e sem esperança de regressar, fez então a promessa de que, caso chegasse a terra são e salvo, ergueria uma capela em honra de Nossa Senhora no lugar onde encontrasse abrigo.
Dia a tradição que, nesse momento de aflição, surgiu no céu uma estrela luminosa que guiou a embarcação até terra firme. Em cumprimento da promessa feita, o pescador mandou construir naquele local uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora da Estrela, perpetuando assim a memória daquele sinal divino que lhe indicara o caminho da salvação.
Ao longo dos séculos, a antiga ermida foi sendo ampliada e transformada na capela que hoje conhecemos, integrada de forma quase mística na própria montanha, sob a proteção da grande gruta calcária que a envolve. No interior, subsiste ainda o arco manuelino que separa a zona da capela da gruta interior, testemunhando diferentes épocas da sua construção e devoção.
No alto do miradouro permanece a imagem da Nossa Senhora da Estrela voltada para o litoral, como guardiã simbólica dos viajantes, dos homens do mar e de todos aqueles que procuram orientação espiritual perante as dificuldades da vida.
É, pois, neste lugar de memória, fé e contemplação, profundamente ligado à identidade da Serra de Sicó e das gentes desta região, que hoje realizamos os trabalhos do nosso Capítulo, inspirados pelos valores de perseverança, esperança e serviço que esta antiga lenda continua a transmitir através dos tempos.”
Agostinho Silva – Comendador da Comenda Templária de Pombal, OPCTJ.

Visitar Capela de N. Sra. da Estrela, Município de Pombal
Algumas fontes
Oliveira, R. P. (2026). Nossa Senhora da Estrela: Um santuário mariano na diocese de Coimbra – Redinha, Séculos XVI-XVIII. Famalicão: Edições Húmus, Lda. ISBN: 978-989-9345-03-4.

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