Entre a Memória Templária e as tradições ancestrais de Cidões, Vinhais

História, conhecimento, castanhas e tradições ancestrais marcaram o dia de atividades da Comenda Templária de São Pedro de Macedo de Cavaleiros, que terminou com a participação na Festa da Cabra e do Canhoto, em Cidões.

No dia 31 de outubro, a Comenda Templária de São Pedro de Macedo de Cavaleiros realizou o seu XIV Capítulo Local, na Capela do Centro Cultural Solar dos Condes de Vinhais, dedicada a São Caetano, onde se encontram também as imagens de São Pedro e de Nossa Senhora.

O encontro ficou marcado pela reflexão histórica, pela partilha de conhecimentos e pela valorização do património cultural e das tradições do concelho de Vinhais.

No decorrer dos trabalhos, foi apresentado um trabalho com o tema «A morte, o Rito e a Memória entre os Cavaleiros Templários na Idade Média», dedicado à dimensão histórica, simbólica e ritual da Ordem do Templo.
A castanha, enquanto elemento identitário e cultural do território, esteve igualmente em destaque, com a apresentação do trabalho «À sombra de uma castanheira milenar; Memórias, saberes e tradições em torno da castanha», que abordou a importância deste fruto na memória coletiva, nos saberes e nas tradições transmitidas de geração em geração.

A ordem de trabalhos contemplou ainda a apresentação do Relatório de Atividades do ano de 2026 e do Plano de Atividades para o ano de 2027, permitindo fazer o balanço do trabalho desenvolvido e definir as linhas de ação para o próximo ano.

Concluídos os trabalhos do Capítulo local, os membros e convidados, reuniram-se em torno do tradicional magusto, onde puderam saborear as castanhas da variedade Longal, assadas no Maior Assador de Castanhas do Mundo, distinguido pelo Guinness World Records, acompanhadas pela tradicional jeropiga.

De Vinhais a Cidões: uma viagem pelas tradições transmontanas

O percurso prosseguiu para Cidões, onde os membros e convidados da Comenda Templária participaram na emblemática Festa da Cabra e do Canhoto, a primeira mascarada portuguesa associada aos rituais solsticiais de inverno.

Esta pequena e bela aldeia transmontana, com cerca de 20 habitantes, transforma-se, nesta noite, num ponto de grande atração, com milhares de visitantes para uma celebração marcada pelo simbolismo, pelo mistério e pela preservação de tradições ancestrais.

As origens da festa poderão estar relacionadas com o Samhain, antiga celebração dos povos celtas que assinalava a passagem da Estação Clara para a Estação Escura.

A proximidade de vestígios de antigas ruínas, historicamente associados a uma granja beneditina, mas que a tradição oral relaciona com os Templários, conferiu também um significado especial à presença da Comenda nestas terras.

O ambiente festivo foi marcado pelo calor da gigantesca fogueira, pelo som das gaitas de foles e pela degustação da tradicional cabra machorra, confecionada em grandes potes de ferro. Um dos momentos mais aguardados foi o ritual do fogo em torno do gigantesco Cabrão, que culminou, à meia-noite, com a surpreendente aparição do Diabo.

Fiéis ao espírito de fraternidade e à valorização das tradições populares, os membros da Comenda não deixaram de cumprir a tradição que acompanha esta celebração, evocada através da conhecida expressão:

«Quem da Cabra comer e ao Canhoto se aquecer, um ano de sorte vai ter!»

A participação nesta iniciativa proporcionou mais um momento de convívio, conhecimento e contacto com as raízes culturais do Nordeste Transmontano.

Ao associar a realização do seu XIV Capítulo Local à participação numa das mais emblemáticas manifestações culturais da região, a Comenda Templária de São Pedro de Macedo de Cavaleiros, reafirmou o seu compromisso com a história, a união e a preservação do património cultural e das tradições locais.

Uma experiência que ligou Vinhais a Cidões, cruzando a memória Templária com os saberes, as tradições e a identidade de um território onde a história continua viva.

Luísa Pires – Comendadora da Comenda de São Pedro de Macedo de Cavaleiros

 

 

 

 

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