Realizou-se ontem, em Bragança, o XIII Capítulo Local da Comenda Templária de São Pedro de Macedo de Cavaleiros, num encontro dedicado à História, ao património e à valorização da presença das ordens religiosas e militares no Nordeste Transmontano.
O Capítulo decorreu na Igreja e Convento de São Francisco, um espaço ímpar na cidade de Bragança pela sua riqueza histórica, arquitectónica e artística. Localizado junto ao Castelo de Bragança, o conjunto constitui um importante testemunho de vários séculos de história religiosa e social da cidade e encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público.
A realização deste XIII Capítulo Local, contou com o apoio institucional da Câmara Municipal de Bragança, na pessoa da sua Presidente, Professora Doutora Isabel Ferreira, a quem a Comenda de São Pedro de Macedo de Cavaleiros, manifesta o seu profundo agradecimento pela disponibilidade e pelo apoio concedido.

A presença franciscana em Bragança remonta ao século XIII. A data exacta da chegada dos franciscanos e da fundação do convento continua, contudo, a ser objecto de discussão histórica. Está documentada a existência do convento em 1271, através do testamento de D. Afonso III, que lhe deixou uma doação. A tradição atribuiu a fundação do convento ao próprio São Francisco de Assis, durante uma alegada passagem pela região a caminho de Santiago de Compostela.
Ao longo dos séculos, o convento beneficiou da protecção de diferentes figuras da monarquia e de famílias nobres. Em 1412, D. João I tomou a comunidade sob a sua protecção e, posteriormente, o convento passou a beneficiar da ligação à Casa de Bragança, relação que constitui uma parte relevante da sua história.
O conjunto conventual foi sendo profundamente transformado através de sucessivas campanhas de obras. Ao longo dos séculos XVI e XVII foram realizadas importantes intervenções arquitectónicas e artísticas, que contribuíram para a configuração que hoje conhecemos. O período barroco deixou também uma marca significativa no espaço, nomeadamente na capela-mor e no mobiliário litúrgico.
No século XIX, após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento passou para o Estado e teve diferentes utilizações. Entre 1834 e 1835 foi ocupado pelo Batalhão de Caçadores n.º 4 e, posteriormente, o Ministério da Guerra promoveu a sua adaptação a Hospital Militar, em 1856. Actualmente, parte do antigo convento encontra-se ocupada pelo Arquivo Distrital de Bragança, mantendo o edifício uma importante função na preservação da memória documental da região.
No interior da igreja permanecem importantes testemunhos artísticos e arquitectónicos de diferentes épocas, incluindo a capela-mor medieval, elementos românicos, retábulos e outras intervenções que reflectem as sucessivas transformações do edifício. As campanhas de restauro realizadas no século XX permitiram ainda identificar diversos vestígios medievais.
A realização do Capítulo local permitiu igualmente abordar a importância dos vestígios relacionados com o período da Ordem do Templo, particularmente entre os séculos XII e XIII. Foram apresentados elementos associados à antiga igreja medieval, com especial atenção para os vestígios existentes na actual Capela-Mor.
A reflexão estendeu-se ainda à necessidade de aprofundar o estudo da presença das ordens militares no território de Bragança e no Nordeste Transmontano, nomeadamente através da investigação histórica relacionada com as chamadas «Comendas Novas». Fontes dedicadas à história das comendas da Ordem de Cristo identificam a existência de 27, no distrito de Bragança, comendas novas entre as quais a Comenda de São Pedro de Macedo de Cavaleiros e também a Comenda de Santa Maria de Bragança.
Foi ainda apresentada a candidatura Nordeste IN, uma proposta de trabalho dedicada à investigação, valorização patrimonial e desenvolvimento de uma futura via Templária no Nordeste Transmontano. O projecto pretende promover o estudo e a divulgação de locais associados à presença histórica das ordens militares, através da criação de itinerários culturais e patrimoniais.
Um dos percursos propostos terá início precisamente na Igreja e Convento de São Francisco, integrando este monumento numa rede mais ampla de locais ligados à História e ao património templário da região.
A iniciativa pretende aproximar a investigação histórica da comunidade, promovendo simultaneamente a preservação do património, a cultura e o desenvolvimento de novas formas de valorização do território.
A Comenda dá, assim, continuidade ao trabalho previsto no seu Plano de Actividades de 2026, procurando transformar os seus valores e princípios em acções concretas ao serviço da comunidade.
Para a Comenda, ser Templário nos dias de hoje, significa também servir, estar presente, proteger, preservar a memória e valorizar o território, colocando esses valores ao serviço das pessoas e das comunidades.
É neste sentido que a Comenda procura desenvolver um Templarismo activo, solidário, responsável e comprometido com a comunidade, com a investigação histórica e com a valorização cultural e patrimonial do Nordeste Transmontano.
Após o Capítulo, a comitiva foi recebida pela Professora Ana, responsável pelo Solar Bragançano, onde tevemos a oportunidade de partilhar uma refeição marcada pelos sabores tradicionais transmontanos. Todos os membros da OPCTJ presentes, manifestaram o seu agradecimento pela forma calorosa como fomos recebida, pela gastronomia e pela atenção e hospitalidade que marcaram este momento de convívio, que o Solar Bragança tão bem sabe fazer.

O dia terminou no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, onde o grupo visitou a exposição dedicada ao escultor francês Michel Bassompierre. A mostra permitiu conhecer diferentes fases do processo criativo do artista, desde os desenhos preparatórios e as maquetas em barro até às esculturas em bronze, mármore e alabastro, revelando uma linguagem escultórica muito própria, centrada sobretudo na representação do mundo animal.
A visita revelou-se um momento particularmente surpreendente, proporcionando um contacto próximo com uma obra de forte expressão artística e com uma abordagem singular à representação da natureza e do mundo animal.
O XIII Capítulo Local realizado em Bragança ficou, assim, marcado por um dia dedicado à História, ao património, à cultura, à gastronomia, reforçando o compromisso da Comenda de São Pedro de Macedo de Cavaleiros com a valorização do território e com a preservação e divulgação da sua identidade histórica e cultural.
Luisa Pires – Comendadora da Comenda Templária de São Pedro – Macedo de Cavaleiros




