Foto: Sé de Braga
Braga, a “Cidade dos Arcebispos” ou a “Cidade do Barroco”, Capital da Cultura 2025, foi a localidade que acolheu o programa do XXI Capítulo Geral da OPCTJ – Associação Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Jerusalém, integrado num programa que decorreu nos dias 07 e 08 de fevereiro de 2026.
Segundo Paula Pinto Costa (2013), os freires podem ter chegado ao Condado Portucalense nos inícios da década de 20 do séc. XII, antes da sua instalação em Soure, em 1128. Em Braga, o Templo teria um hospital assistencial aos peregrinos. Ali, os Templários teriam tido a sua afirmação inicial adquirindo bens e instalando-se junto dos mais importantes centros político-eclesiásticos decisivos do século XII.
O dia de sábado iniciou-se com o XXI Capítulo Geral, que decorreu na magnífica Igreja de São Marcos (complexo igreja e antigo hospital de São Marcos).

Nesta igreja, encontra-se um relicário com as relíquias de S. Marcos trazidas do Oriente pelo Mestre Templário D. Gualdim Pais, originalmente da Catedral Copta de São Marcos, em Alexandria. Quanto ao túmulo de São Marcos, os restos mortais poderão ser de S. Marcos o evangelista ou de S. João Marcos, discípulo de Cristo e evangelizador. Também se diz que os dois são a mesma pessoa. Este túmulo terá sido lugar de grande veneração ao longo da Idade Média, tendo contribuído para o aparecimento do topónimo que subsistente.
A Igreja remonta ao século XII, tempo em que teria sido a ermida do Espírito Santo e teria pertencido, juntamente com um convento, à Ordem do Templo. No século XVI, o edifício iniciaria o seu funcionamento como um hospital, sob a iniciativa do arcebispo D. Diogo de Sousa. As relíquias passaram a ocupar o no arco sólio da capela-mor a partir do século XVIII (antiga capela do hospital), quando o arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles promove a transladação das relíquias de São João Marcos para um sepulcro de mármore, mandado fazer em Roma (1718). Atualmente, a maior parte delas encontra-se conservada na Basílica de São Marcos, em Veneza.

Durante o Capítulo Geral, foi apresentado pelo Condestável um apontamento sobre a história da igreja, do túmulo de S. Marcos e de suas relíquias.

Foi Consagrado o Priorado do Centro-Norte, que abraçará várias Comendas nessas áreas geográficas do país, e Consagrada a Comenda Templária de Almourol. Trata-se da décima nona unidade territorial que trabalhará nas várias linhas de ação da OPCTJ no território daquele castelo, reconstruído por D. Gualdim Pais.

Depois do Capítulo Geral, os membros, famílias e convidados assistiram ao pré-lançamento da 1ª edição do livro infantil “O cofre da Luz: As 13 missões do pequeno Afonso”, Coleção “O Pequeno Templário”, da autoria de Diamantino Ribeiro. O momento teve lugar na Igreja de S. Marcos. O livro relembra os princípios e valores templários que a sociedade não deve esquecer na sua conduta e moral, especialmente nos tempos de mudança que se vivem. Valores como a gratidão, a coragem, a humildade, a honra, a responsabilidade, a compaixão, a lealdade, a amizade, o respeito, o servir, o cuidar dos outros. Uma leitura que a OPCTJ recomenda.

O dia terminou com o Jantar de confraternização, sob a habitual harmonia que caracteriza a OPCTJ. O jantar medieval teve lugar no Salão Medieval da Reitoria da Universidade do Minho. O edifício remonta ao século XIV e terá sido o antigo paço arquiepiscopal de Braga.

O encontro nacional continuou no dia seguinte, com um passeio no Santuário do Bom Jesus de Braga e foi encerrado com um almoço de grupo, em que mais uma vez foi realçada a irmandade, alegria e amizade partilhadas no seio da associação OPCTJ.

A OPCTJ teve a honra de voltar a receber o Irmão Tom Melling, Grande Oficial do Templo de Jerusalém, também Militar Emérito da Força Aérea Real do Reino Unido /NATO, Vice Grão-Prior emérito do Grande Priorado do Reino Unido e atual Comendador da Comenda Templária Militar de Santiago Maior do GP do Reino Unido, membro do GP da NATO, e Membro efetivo da OPCTJ. O Irmão Tom tem divulgado a nível global as iniciativas da nossa Ordem, visitado a OPCTJ em Portugal e recebido em Inglaterra e Escócia os nossos membros, ao longo dos anos.

Agradecimentos à Santa Casa da Misericórdia de Braga pela gentil cedência da Igreja de S. Marcos, na pessoa do Senhor Provedor Bernardo Reis, à associação PECT – Património Enogastronómico, Cultura e Tradição, e à Reitoria da Universidade do Minho.
Comenda de Almourol
Segundo Capêlo (2008) e Paraschi (1986), Almourol terá sido Comenda da Ordem do Tempo, com castelo. Este castelo templário, situado no concelho de Vila Nova da Barquinha, terá sido reedificado onde existiria um castro romano, sob o mestrado de D. Gualdim Pais. Em 1910, o castelo foi classificado como Monumento Nacional.
No passado mês de janeiro, a OPCTJ esteve presente no concelho para a realização da sua reunião anual presencial entre o Magistério e Comendadores, Integração e Acolhimento de Escudeiros, almoço no Restaurante Almourol, e para visitar o CITA – Centro de Interpretação Templário de Almourol e o emblemático Castelo de Almourol.

Vila Nova da Barquinha foi um dos municípios que integrou a “Rota dos Templários no Médio Tejo” e membro assinante do Protocolo de Colaboração para a Implementação da “Rota dos Templários Portugal” (BTL 2023 – Bolsa de Turismo de Lisboa / Better Tourism Lisbon Travel Market). A OPCTJ tem vindo a desenvolver trabalho neste produto, em cooperação com grande parte dos municípios integrantes, abrangidos pela associação.
Ainda em janeiro, a OPCTJ assinou um protocolo de cooperação com o Município de Vila Nova da Barquinha, estabelecendo uma parceria estratégica no desenvolvimento de projetos de investigação histórico-científica, produção de conteúdos informativos, promoção cultural e turística, bem como na dinamização de iniciativas ligadas ao património templário, formação, apoio técnico na área da cultura e património, e à solidariedade.
Visitar Vila Nova da Barquinha

Fontes
Capêlo, J. M. (2008). Portugal Templário: A presença templária em Portugal (2ª Ed.). Sintra: Zéfiro. ISBN: 978-972-8958-58-9.
Costa, P. P. (2013). Templários no condado portucalense antes do reconhecimento formal da ordem: O caso de Braga no início do séc. XII. Revista da Faculdade de Letras Ciências e Técnicas do Património, 12, 231-243.
Macedo, A. S. (2008). A Igreja de S. João Marcos do Hospital. Braga: Santa Casa da Misericórdia de Braga.
Paraschi, A. J. (1986). Breve guia da expansão geográfica dos Cavaleiros e freires em Portugal. Ericeira: Sol Invictus. Não tem ISBN.
Ribeiro, M . C. F. (2011). O antigo paço episcopal de Braga. Braga: Reitoria da Universidade do Minho. ISBN: 978-972-8533-23-6.
Turismo de Portugal Business. (2025). Rota dos Templários Portugal. Retirado de: https://business.turismodeportugal.pt/pt/Conhecer/programas-iniciativas/turismo-militar/Paginas/rota-templarios-portugal.aspx



