Comenda de Monsaraz

Monsaraz dista cerca de 15 quilómetros de Reguengos de Monsaraz (Reguengo significa terra do Rei). A vila foi conquistada aos mouros (almóadas, em 1167, pelos homens de Geraldo, tropas de Afonso Henriques e pelo reforço Templário vindo de Soure e Pombal.

Geraldo Geraldes (Séc. XII), semilendário, ou Geraldo sem Pavor, liderou um grupo de proscritos, salteadores e aventureiros que foram obtendo a sua legitimação e perdão real pelos feitos contra os Mouros no Alentejo.

O Castelo de Geraldo, próximo de Valverde, a cerca de 12 quilómetros da malha urbana do interior do pano do Castelo de Évora, local onde ainda existem algumas ruínas visíveis.

Toda esta zona, abarcada pela Comenda de Monsaraz, foi povoada desde a Idade do Ferro e talvez mais anteriormente. São reflexo dessa presença humana o Cromeleque do Xerez, conjunto Megalítico do olival da Pêga, O Menir do Outeiro, o Menir da Bulhôa, o Cromeleque dos Perdigões, o Menir das Vidigueiras, o Menir de Santa Margarida, a Rocha dos Namorados, entre outros vestígios.

Como monumento mais importante Templário, encontra-se o Castelo Medieval de Monsaraz, tendo sido construído por cima das ruínas de defesas romanas, visigóticas e muçulmanas.

O seu topônimo deriva da palavra Xarez (ou Xerez), derivado do árabe saris (ou Sharish), designando vegetação de estevas (xaras).

Da presença Templária encontra-se em bom estado de preservação o túmulo de Gomes Martins Silvestre, povoador de Monsaraz, Cavaleiro da Ordem do Templo, sepultado na Igreja Matriz de Santa Maria da Lagoa (Maria, mãe da ordem, e lagoa em alusão ao Guadiana).

Afonso III veio incentivar o povoamento e defesa, tendo nomeado Martins Anes Zagallo, primeiro alcaide de Monsaraz.

Durante este período, as antigas muralhas são reforçadas e reconvertida a primitiva igreja de Santa Maria da Lagoa.

Com D. Dinis termina-se a Torre das Feiticeiras, torre de Menagem, ainda existente e bem preservada, e talvez a última construção Templária em Portugal.

Com a extinção da Ordem do Templo, Monsaraz passa a ser uma Comenda da Ordem de Cristo, respondendo perante Castro Marim, primeira sede da Ordem de Cristo, onde e fundeou a armada Templária do Mediterrâneo vinda de Marselha.

Da presença Templária, ficaram também como património erigido a Ermida de Santa Catarina de Monsaraz, de construção octogonal, muito semelhante à existente em Elvas, no centro histórico, a igreja das Domínicas, anteriormente igreja da Madalena.

Estas construções octogonais são visíveis em vários pontos da Europa, vejam-se as igrejas da ilha de Boghum (Dinamarca), ilha de proveniência dos Burgúndios, povo esse que se fixou na Borgonha, tendo dado o nome a esta região de França e de onde grande parte dos Templários eram originários, incluído o local de nascença de Bernardo de Claraval – São Bernardo do Vale Claro ou Bernardo de Claravaiux, grande mentor da Ordem e seu acérrimo defensor junto da Santa Sé, devendo-se a ele a escritura dos princípios e regras da Ordem monástico-militar, o que era uma novidade para a época.

De destacar também a igreja de São João Baptista (patrono da Ordem), de construção em cúpula redonda e de pequena dimensão, muito semelhante à igreja do mesmo nome em Jerez de los Caballeros que dista cerca de 50 km (em linha reta), na Andaluzia Espanhola.

Desta convivência de povos e culturas, durante séculos, gerou-se uma comunidade profundamente ecuménica, onde, para além, das igrejas Matriz de Santa Maria da Lagoa, Ermida de Santa Catarina de Monsaraz, Capela de São Bento, Igreja São João Baptista, existem também ainda erigidas, a antiga Sinagoga (hoje atual Museu da Inquisição) e a Mesquita de grandes dimensões (transformada na cisterna da Vila).

Monsaraz desempenhou, assim, uma importância geográfica/estratégica relevante na coordenação do povoamento e defesa no processo da Reconquista.

O povoamento foi muito ativo no reinado de D. Sancho I, recorrendo aos povos do Lanquedoc (Sul de França), vítimas da cruzada Albigense. Sendo estes povos sido protegidos pelos Templários que se recusaram a participar nessa cruzada, permitiu que os mesmos, viessem repovoar todos estes territórios administrados e defendidos pela Ordem do Templo.

Desta migração, ficou, para além do legado genético, também a semelhança toponímica entre as vilas Portuguesas e as do atual Sul de França (Lanquedoc na Baixa Idade Média) como por exemplo:  Nisa- Nice; Tolosa – Tolouse; Arez – Arles; Montalvão – Montalban; Monforte – Montfort; Albicastrenses – Albi e Castres; Proença a Nova e Velha – Provence; Vila Velha de Ródão – rio Ródano. Ficou também o dialeto que alguns historiadores designam por Ocitejano (Ocitano e Alentejano).

A Comenda de Monsaraz é um desafio permanente à descoberta de tanto património Templário existente por desvendar, por divulgar, sendo cada passo uma descoberta.

Venham as estas terras onde a sombra do sobreiro é feita de carícia.

Monsaraz

Fontes

  • Mattoso, J. (2021). D. Afonso Henriques. Lisboa: Temas e Debates.
  • Mattoso, J., & Sousa, A. (1997). História de Portugal: A monarquia feudal (1096-1480) (2º Vol.). Lisboa: Círculo de Leitores.
  • Erdman, C. (1937). Diplomas passados pelos Condes Portucalenses e por Afonso Henriques.
  • (N.D.). Livro Preto de Coimbra (cartulário e documentos religiosos do séc. XII). Arquivo Torre do Tombo.
  • (N.D.). Liber Fidei, Braga. Arquivo Torre do Tombo.
  • (N.D.). Relato de Gualdim Pais que testemunhou o processo. In Relatos sobre a transladação e os Milagres de São Vicente. Arquivo Torre do Tombo.
  • Ibn Id’ari, & Ibn Sahib. (n.d.). A Crónica de Afonso Imperador [Chronica Adefonis Imperatoris].
  • Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz. (2023). Reguengos de Monsaraz. Retirado de: https://www.cm-reguengos-monsaraz.pt

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