Comenda de S. Pedro – Macedo de Cavaleiros

A Ordem do Templo marcou forte presença em todo o Nordeste. Segundo o Ilustre Abade de Baçal, os Templários instalaram-se em Mogadouro e Penas Roias em 1145, onde persistem os Castelos daquele tempo, as designadas Comendas antigas.

São várias as localidades onde existiram Comendas, ditas novas, pois surgem já com a Ordem de Cristo, que tinha assumido todo o património da Ordem do Templo após a sua extinção, criadas sob a tutela do Rei, que as criou e até entregou aqueles que tinham participado, nas campanhas africanas, por conta própria e agora iam ser ressarcidos.

O nascimento da Ordem dos Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, de origem monástica-militar, criada por Hugo de Payens e confirmada pelo Papa Honório II em 13 de janeiro de 1129, dá-se no Concílio de Troyes. A Ordem foi criada para defender o Templo de Jerusalém da ameaça dos turcos, que o queriam destruir.

No século XIII, o que hoje chamamos Concelho de Macedo de Cavaleiros, abrangia uma área que englobava as freguesias de Ala, Lamalonga, Arcas, Vº de Agrochão, Murçós, Sezulfe, Corujas, Edroso, Ferreira, Espadanedo e Soutelo Mourisco.

Há muitas outras terras que pertenceram aos Templários no século XII/XIII, tais como Argana, Azibeiro, Bagueixe, Chacim, Fornos de Ledra, Gralhós, Meles, Morais, Talhinhas, Valdez, Vale de Prados e Vilarinho de Agrochão.

Havia uma grande dispersão de propriedades e terras, mas sabemos que o Castelo de Balsamão integrava, conjuntamente com os castelos da linha de fronteira, terras de grande importância para a Ordem do Templo.

Temos de recordar as terras de influência dos Templários e/ou de Cristo: Argana, Ala, Azibeiro, Bagueixe, Chacim, Fornos de Ledra, Gralhós, Malta, Meles, Morais, Peredo, Santa Combinha, Talhinhas, Valdrez, Vale de Prados, Vila Nova da Raínha, Vilar Douroi, Vilarinho de Agrochão.

O Castelo de Balsamão foi um dos Castelos que sofreu as investidas do Rei de Leão, tendo sido um dos ocupados, entre outros.

Em 1212, foi assinado um tratado em que o Rei de Leão devolveu os castelos tomados. Sendo difícil encontrar referências a este Castelo, podemos confiar nas declarações de Alexandre Herculano, no que se refere a Balsamão e na tomada das terras de Ledra e Lampaças pelo Rei Afonso IX de Leão.

Há registos arqueológicos no monte do carrascal, onde se situa hoje o Convento de Balsamão. Há marcas que mostram símbolos da Ordem dos Templários, numa face e na outra da Ordem de Cristo, mas marras, no termo de Chacim.

Há ainda vestígios de um pequeno castelo, onde hoje está o Mosteiro, e de muralhas de xisto que rodeavam o povoado, bem como um torreão circular.

Quanto à existência do Castelo de Balsamão, no monte Balsamão, Chacim, há referências na carta arqueológica que reza assim:

“Situa-se no cume de um esporão sobranceiro ao Rio Azibo, tem ótima condições naturais de defesa. Possui um grande domínio visual da paisagem envolvente. O atual convento de Balsamão assenta sobre este povoado fortificado da idade do Ferro, a comprová-lo estão troços de uma antiga muralha que deveria rodear todo o cume.

Aquando da construção do atual convento em 1954, encontraram-se túmulos de esqueletos e moedas datadas do período romano, algumas, pensamos, ainda em mãos dos responsáveis marianos pelo convento de Balsamão.

Existem no cume restos de um castelo medieval e traços de muralhas e torres que devem remontar à época medieval. Parte delas foram reconstruídas recentemente.

Para esta cronologia aponta-se a data de 1212, encontrada no local e, também a lenda que está associada a este local. Deste modo, a sua cronologia vai da Idade do Ferro até à Época Medieval.”

Também o Ilustre Abade de Baçal se refere na sua obra “Memórias Arqueológicas Históricas do Distrito de Bragança tomo IX página 184, fala da existência de um Castelo neste local. É tradição que no lugar onde está hoje o convento existir no século IX ou X o castelo de um Rei mouro.

O argumento definitivo está na Quarta Parte da “Monarchia Lusitana” obra de Frei António Brandão Cronista – Mor de Portugal datado de 1632, que esclarece documentalmente a existência do Castelo de Balsamão, operacional e nas mãos dos Templários em 21 de maio de 1213.

Há referências a um “breve” documento papal em que se afirma, não só entrega Castelo de Balsamão, como todo o Concelho (Terras de Ledra e Lampaças) para as mãos da Ordem do Templários.

Podemos afirmar que toda área geográfica, do concelho de Macedo de Cavaleiros é e foi um Concelho Templário.

Desde o início do século XIII, até ao início do século XVII, eram estas as localidades que tinham comendas ou eram propriedade da Ordem de Cristo, na área que hoje conhecemos com Macedo de Cavaleiro.

Na criação desta Comenda e de acordo com o Regulamento Geral da OPCTJ, esta deve ser designada com o título de um Santo, pelo que se justifica a atribuição de S. Pedro de Macedo de Cavaleiros.

Há uma Igreja em Macedo de Cavaleiros que lhe é atribuída esta distinção. Portanto, faz todo o sentido que seja essa a designação a atribuir à Comenda agora criada. Esta Igreja foi construída por fases ao longo dos séculos XVII/XVIII e XIX. Segundo os “Anais Académicos, Portuguesa & História”.

Podemos afirmar que Macedo de Cavaleiros é também terra de heróis, o melhor exemplo foi o Escudeiro Martim Gonçalves de Macedo, que salvou a vida a el-rei D. João I, na batalha de Aljubarrota, no dia 14 de agosto de 1385.

Era membro da Ordem de Cristo, e queremos homenageá-lo na criação desta Comenda relembrando que outros Macedenses libertaram esta terra do jugo de Rei de Leão, Martim fê-lo na Batalha Aljubarrota ajudando a derrotar os castelhanos.

Fontes

  • Alves, F. M. (2000). Memórias Arqueológicas – Históricas do Distrito de Bragança. Bragança.
  • Barbosa, P. G., & Mendes, C. S. (2006). De Macedo a Macedo dos Cavaleiros.(via Aljubarrota)–Figura de Martim Gonçalves de Macedo. Macedo de Cavaleiros: C.M.M.C.
  • Ennes, E. J. B. (1941). Anais. Volume V, Academia Portuguesa da História, Publicações comemorativas do duplo Centenário da Fundação e Restauração de Portugal. Lisboa.

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