Período dos Távoras
No entanto, alguns anos depois, Penas Róias voltou para a administração dos templários. Entre os séculos XV e XVIII são os Távora os senhores destas terras.
Os Távoras tiveram um papel muito importante em Mogadouro, na construção de Igrejas, pontes, estradas, … Estes tinham imenso património espalhados pelo Concelho, como o Castelo de Mogadouro, Castelo de Penas Róias e a Quinta da Nogueira.
Os Távoras, foram mortos o seu património ficou ao abandono, e o Castelo foi abandonado ficando, com o passar do tempo em ruínas, como o de Penas Roias.
Monóptero de S. Gonçalo

- Classificado como Monumento de Interesse Público (MIP)
- Categoria: MIP – Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n° 647/2012, DR, 2.a série, n.° 212, de 02 novembro 2012
Em 1571 foi construído o Monóptero de São Gonçalo, na Quinta da Nogueira, junto a Penas Roias, propriedade dos Távoras.
Em pleno campo surpreende a aparição súbita de um estranho monumento barroco semiarruinado que até hoje traz intrigados os estudiosos de História e Arte sobre a sua função. Trata-se de um monóptero que, diz-se, terá sido dedicado a São Gonçalo.
Datado do século XVIII, fica situado na chamada Quinta Nova (Quinta de Nogueira). Erigido pela família dos Távoras, outrora senhores desta região, em homenagem a S. Gonçalo, patrono dos caçadores.
Diz-se tratar-se de um monumento único na Península Ibérica, dentro do seu género. Constitui um exemplar barroco de grande raridade, sem função rigorosa atribuída.
É uma construção de planta circular, tipo pavilhão, assente sobre um soco de quatro degraus em forma de toro e escócia invertidos. Sobre este soco erguem-se seis plintos paralelepipédicos onde assentam seis colunas salomónicas de 1,90 m de altura, encimadas por capitéis jónicos, monumento muito enigmático.
O Monóptero de São Gonçalo está situado no local onde existiu, outrora, uma ermida com a mesma invocação.
Monóptero é um templete em rotunda, circular, sem paredes e sustentado por uma só ordem colunata. Diz-se que as suas características baseiam-se no modelo grego do tholos (século IV a. C.), que no sentido amplo designa um “templo circular”. Mas ao contrário desse o monóptero (do grego ó povónTEpoç, menopteros) não possui cela, donde o seu significado de “singular” e “único” conforme o politónico póvoç. Na Antiguidade clássica greco-romana, especialmente a romana, o monóptero servia inter alia como uma forma de baldaquino para uma imagem de culto. Na arquitetura barroca e clássica, o monóptero foi classificado como “templo de musas” e tornou-se motivo popular no embelezamento dos jardins durante o Romantismo francês, inglês e alemão, sem esquecer o português, onde no Parque da Pena de Sintra o pai do rei D. Fernando II mandaria erguer o “templo das colunas” ou templete-mirante (o “quiosque” para o vulgo, obra de 1840), no alto da colina de St.° António, que na realidade é um monóptero cilíndrico com doze colunas compósitas e a particularidade de se apresentar emparedado, havendo uma porta à frente e uma janela atrás, com a pequena rotunda interior com quatro nichos laterais e a Cruz da Ordem de Cristo, vermelha em medalhão, na cúpula.
Mas o monóptero de São Gonçalo destaca-se pela singularidade dos seus contornos, no que é exemplar barroco único na Península Ibérica e de grande raridade em toda a Europa. É uma construção em granito, tipo pavilhão, de planta circular (exceto a cúpula abobadada) assente sobre um soco de quatro degraus circulares em forma de toro. Sobre o soco erguem-se seis plintos paralelepipédicos onde assentam seis colunas torsas salomónicas de 1,90 m de altura, cada uma encimada por capitéis jónicos. Sobre estes correr um travejamento circular de 3 m rematado pela cornija do tipo balaustrada, constituindo o seu remate superior, donde nasce uma cúpula (quase totalmente destruída) feita em material cerâmico aparelhado com saibro, que teria a função de proteção dos seus ocupantes. No interior, encostado a cada plinto, tem-se um banco em cantaria de granito. O pavimento lajeado igualmente em granito, apresenta no centro uma cavidade retangular de 87×58 cm, onde estaria implantada a base da imagem de São Gonçalo.
A construção deste monóptero na antiga propriedade da família Távora, foi comparticipada pela população local com o fim de albergar a imagem do santo. Portanto, destinava-se a “assinalar um lugar santo, tal como a cruz assinalava as cabeceiras das igrejas paroquiais abandonadas.
Pelourinho de Penas Roias
- Classificado em Imóvel de Interesse Público
- Categoria: IIP – Imóvel de Interesse Público, Decreto n° 23 122, DG, a série, n.° 231 de 11 outubro 1933
- 1943 – É pedida a desclassificação
Seria um pelourinho manuelino de base convexa, com um fuste facetado e decorado com rosetões, tendo no seu remate uma gaiola com fins decorativos. (Não existe)
Duarte D’Armas desenha-o, tendo o pelourinho uma gaiola no remate, devendo ter sido erguido no seguimento do foral dado por D. Manuel em 1512. Em 1935 Nuno Cardoso dá o pelourinho como tendo sido demolido. No mesmo ano o Inventário publicado pela Academia Nacional de Belas-Artes diz que existirá um fragmento em Penas Róias. Os aguarelistas Alberto de Sousa e F. Perfeito de Magalhães não o representam quando deambulam por estas paragens entre 1937 e 1950. Como nunca se achou um fragmento que fosse, por estas razões em 1943 é pedida a sua desclassificação.

No entanto, terá sido levantado um pelourinho posterior, que se encontra em fragmentos, na sua maior parte perdidos. Aparentemente, um troço de coluna granítica, de fuste liso e secção circular, que integra a ombreira de uma porta na vila, pertenceu a este último pelourinho.
O Presidente da Junta de Freguesia, para fazer representar a importância desta povoação, mandou fazer uma réplica do Pelourinho original, um elemento histórico que sempre fez parte da história da antiga vila medieval, que foi inaugurado em julho de 2015.
De facto, é importante para a aldeia ter aquele elemento histórico fazendo aqueles que passam ou a visitam entenderem que esta aldeia foi em tempos muito importante.

O marco simbólico está colocado, junto à igreja matriz de aldeia, Igreja de São João Batista e foi bem acolhido pela população, a qual deu vivas aquele imóvel que garantia autonomia administrativa da localidade.
Por esse facto, e por ser uma réplica do original, este monumento está classificado como Imóvel de Interesse Público.
A Fraga da Letra
A Fraga da Letra é um pequeno abrigo com pinturas esquemáticas, feitas com ocre vermelho alaranjado, localizado na vertente Sudoeste das falésias quartzíticas do Castelo de Penas Roias.

O abrigo é uma fenda horizontal, quase na base da falésia. Não deverá ultrapassar meio metro de altura máxima, e terá cerca de 3 metros de largura por 1.5 metros de profundidade. Nas imediações existem diversos outros abrigos, frequentemente de difícil acesso e observação. Refere-se a existência de mais pinturas num outro abrigo a Noroeste, a cerca de 3/4 metros de distância e a maior altitude, mas não as conseguimos observar.
Por outro lado, num grande abrigo situado uns 20 metros acima, ao lado do carreiro que leva da Fraga da Letra ao topo do Castelo, observam-se à superfície numerosos materiais arqueológicos pré-históricos. No abrigo da Fraga da Letra parecem observar- se pelo menos 4 painéis distintos com pinturas, todos verticais ou subverticais, e de pequenas dimensões. As pinturas mantêm-se ainda razoavelmente bem conservadas, ainda que seja por vezes difícil fazer a distinção entre pinturas e manchas ferrosas naturais.
O primeiro painel localiza-se na parte superior da entrada, sendo o mais elevado de todos. Mostra do lado esquerdo uma pequena figura antropomórfica em cruz, de cabeça circular, de braços e pernas apenas esboçados, ladeado à direita por duas barras verticais.

O segundo painel é o principal do abrigo, localizando-se um pouco para baixo e para o interior do primeiro. Mostra em sequência 5 figuras antropomórficas, sendo as 3 da esquerda “antropomorfos de penacho”, com a cabeça separada do corpo. A quarta figura resume-se praticamente a uma barra vertical, e a quinta mostra um antropomorfo com corpo em barra vertical, cabeça e pernas sumariamente esboçadas, e braços em asa.

O terceiro painel localiza-se cerca de meio metro à esquerda do segundo, e é bastante duvidoso, mostrando uma só figura indeterminada, muito apagada, que poderá eventualmente ser só manchas ferrosas naturais
O quarto painel situa-se no fundo do interior do abrigo, em local de difícil observação. À esquerda mostra o que parece ser um pequeno zoomorfo em perfil, ladeado à direita por uma figura abstrata, composta por algumas barras verticais, fazendo um efeito algo semelhante a uma mão. É possível que uma observação mais cuidada possa detetar mais figuras neste abrigo, assim como eventualmente nos abrigos vizinhos.
Além de rochas, pedras e património, a aldeia de Penas Roias também tem água, e não poderíamos deixar de referenciar a Ribeira de Bastelos.
A Ribeira de Bastelos
A barragem de Bastelos, situa-se na ribeira de Bastelos. A barragem entrou em funcionamento em 1993, fornece água a dezenas de aldeias e ainda à sede de concelho a qual abastece além de Penas Roias, várias localidades da região.
A Barragem é rodeada por uma magnífica paisagem verdejante.

Nas margens da Ribeira de Bastelos, encontra-se o parque de merendas bem equipado e com o suplemento de ter ao lado a barragem de Penas Roias.
Num verdejante lameiro, com várias árvores que protegem os veraneantes do sol escaldante de verão estão dispostas várias mesas e bancos e um antigo moinho que serve de edifício de apoio ao Parque.
Poderá também, abrir uma toalha no relvado e fazer um piquenique, ou então apanhar uns banhos de sol.

É sem dúvida um privilégio, estar neste parque e poder desfrutar da vista que se obtém do castelo de Penas Roias, enquanto se descansa ou, se faz um piquenique ou, se usufrui do sol ou, se dá um mergulho.
Para conhecer melhor a Aldeia de Penas Roias, nada melhor que vir até cá e descobrir tudo isto, e muito mais.
Marina Amaral
José Amaral
Andreia Gil
(Comenda de Mogadouro e Penas Róias – OPCTJ)


